Francisco Luis
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Assim como resumi as teorias marxistas no texto “A subvalorização do valor”, agora eu volto a elas. Para os marxistas, o que garante valor às mercadorias é o valor trabalho, as horas de trabalho despendidas para a produção de uma determinada mercadoria. Pois bem, isso ficou muito claro para nós, mas mais uma dúvida surgiu, e o que garante valor ao trabalho? Para os neoclássicos, por exemplo, o trabalho, a mão-de-obra, é mais um dos vários custos de produção, estaria num mesmo patamar que os insumos. Não é bem essa explicação que eu procuro, então vamos partir para uma análise um pouco mais elaborada.
O que um trabalhador precisa para exercer determinada função? Várias são as respostas para essa pergunta, mas creio que todas irão se reduzir a uma básica; especificação, conhecimento e, reduzindo mais ainda, chega-se em educação. Era essa a resposta que eu procurava. A educação é o meio para alguém se capacitar para exercer determinada tarefa, determinado cargo. E quanto mais tempo tem de estudo mais importante é a incumbência e, logicamente, maior o salário – excluindo, obviamente, países que vivem na anticivilização; os comunistas.*
Voltando ao marxismo, o que define o salário de um cidadão? Nada, todos receberão o mesmo valor de remuneração. Temos como exemplo Cuba, onde boa parte de seus médicos trabalham de taxistas ou na informalidade, já que com as gorjetas e os ganhos extra salariais conseguem manter um padrão de vida digno. Então, o ideal de sociedade, para os marxistas, é aquele onde todos receberão uma mesma remuneração, todos terão o mesmo nível econômico, onde não haverá desigualdade. Claro que, teoricamente, o marxismo é extremamente eficiente – vide o sucesso que fez até hoje; desde colégios privados da classe média até renomadas universidades federais em todo o país -, não obstante, quando fazemos uma reflexão da práxis percebemos com clareza – claro que excluindo os que estão submersos na escuridão ideológica – quão ineficiente e bárbaro foi – e é – a experiência socialista – e que não venham com o papo do tal socialismo real. De todo o modo, será mesmo uma sociedade justa aquela em que um médico que estuda cerca de dez anos para exercer essa profissão, ou seja, que dispende tempo e dinheiro na sua formação, recebe a mesma quantia que um cidadão que nunca sequer se empenhou no seu aprimoramento pessoal? Creio que não, e tenho uma fé longínqua que mais pessoas concordam comigo.
Partimos então para Mises. Para ele os preços são determinados pela relação entre produtores e consumidores. Pensando isso para o mercado de trabalho, temos que os produtores se tornam consumidores e os operários se tornam produtores. Essa concepção do operário como um produtor, como um capitalista, deve machucar os ouvidos e deve cegar muitos dos comunistas mais fervorosos, mas é exatamente isso; no mercado de trabalho o operário é o dono dos meios de produção, a sua força trabalho. Pois bem, nesse mercado, os produtores, agora consumidores, irão procurar pelas melhores mercadorias, por aquelas que possuam uma melhor relação entre custo (salário) e trabalho realizado. Comparando o trabalhador a um carro, procura-se o carro que além de oferecer tudo aquilo que o comprador procura, seja mais eficiente no consumo de combustível em relação aos quilômetros rodados.
Entende-se, então, que o trabalhador a ser contratado, a receber o melhor salário, será aquele mais bem preparado. E o mais bem preparado é, teoricamente, aquele que tem mais horas de estudo específico naquela área. Então, uma forma “simples” de se tratar o valor do trabalho, ou custo do trabalho, ou salário, é remunerar com maiores dividendos aquele trabalhador com mais qualidade - que mais se sacrificou para estar lá - aquele que mais investiu em si mesmo, e não uma unificação de salários como ocorre em Cuba e em outras experiências estatólatras – comunistas e keynesianas. Temos que valorizar o melhor, o mais preparado, a livre iniciativa de se investir em si mesmo esperando colher frutos do trabalho; a meritocracia.